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Archive for the ‘Cinema Anarquista’ Category

El Entierro de Durruti

 

Trazemos um mundo novo nos nossos corações.

Buenaventura Durruti (1896 – 1936) 

No dia 14 de Novembro a Coluna Durruti chega a Madrid. Nesta altura travava-se um forte combate entre o exército republicano e as forças franquistas na Cidade Universitária. A luta ganhava um caracter épico, a frente de combate era descontínua e alterava-se constantemente. No exército nacional as forças marroquinas já tinham conquistado a Escola de Engenheiros Agrónomos e o Hospital Clínico. A república contava com a preciosa ajuda das Brigadas Internacionais que derramavam o seu sangue de uma forma estóica. Contra o avanço nacionalista os republicanos transformavam cada casa em forte e em cada janela aninhava-se uma metralhadora. A Coluna Durruti contava com 1800 milicianos vindos da frente de Aragão com o propósito de ajudar na defesa de Madrid e levantar a moral dos combatentes. A partir do dia 15 até ao dia 17 os milicianos combatem ininterruptamente restando a Durruti apenas um terço das suas forças. No entanto, os que ficam de pé, lutam!

No dia 19, depois de combates intensos, o silencio ganha terreno ao som das metralhadoras, como se o sono se apoderasse do frio metal. Ao longe, um carro aproxima-se do silêncio até se imobilizar. Um homem sai do carro. Um som de um tiro torna-se eco.

Buenaventura Durruti morre às 6 horas do dia 20 de Novembro de 1936. Quem o matou? Uns defenderam que o tiro saiu das forças franquistas, outros que era uma bala comunista. Uns contaram que foram os próprios anarquistas quem dispararam a bala, ateada pelo pressuposto colaboracionismo de Durruti. Por fim, diz-se que ao sair do carro, foi o seu próprio naranjero que alojou a bala na zona do coração.

El Entierro de Durruti é uma película do Sindicato Unico de Espetáculos Públicos de 1936, produzido pela CNT-FAI. Os companheiros estão de punho erguido!

Porque o herói tem cem mortes, saúde, Buenaventura Durruti!

A propos de Nice de Jean Vigo

 

“In this film, by showing certain basic aspects of a city, a way of life is put on trial. The last gasps of a society so lost in its escapism that it sickens you and makes you sympathetic to a revolutionary solution.”

Jean Vigo

A propos de Nice é realizado em 1930, pelo jovem realizador Jean Vigo, filho do anarquista Miguel Alemreyda que viria a morrer na prisão em 1917 em circunstâncias suspeitas, e de Emily Clero. A visão do mundo e a opção política do pai viria a ser a grande influência e, quiçá, um dos motivos da vertente cinematográfica que decide desbravar como pioneiro que toma a responsabilidade de destruir para poder construir e criar. Outra grande influência nos seus filmes é o cinema de vanguarda russo, definido pelo mestre do kino-pravda, Dziga Vertov, que tinha realizado em 1928 o documentário, Man With a Movie Camera. Esta influência é por demais evidente, não só pelo tipo de filmagem feita no exterior, pelos movimentos de câmara e pelos cortes rápidos e abruptos, mas também pela importância dada à edição, como no caso da justaposição de planos que aparentemente não têm relação alguma entre si. Tomemos como exemplo os planos de animais que aparecem na sequência dos planos dos burgueses, como que fazendo já alusão à montagem intelectual tão cara a outro mestre do realismo soviético, Serguei Eisenstein. De facto, A propos de Nice é realizado com a ajuda do seu amigo Boris Kaufman, irmão de Mikhail Kaufman e de Denis Kaufman, o verdadeiro nome de Dziga Vertov.

A propos de Nice revela-nos imagens da sociedade burguesa que se estende nas ruas, nas esplanadas, nos passeios, num tempo de ócio que se revela fútil, artificial, onde o sono perturba ou completa uma espécie de feira das vaidades. Os gigantones que vemos aparecer numa festa carnavalesca evidenciam uma imagem caricatural desses burgueses que se aborrecem e se divertem de uma forma infantil. Mas logo de seguida Vigo provoca o choque sem contemplações. Procurando mostrar as ruas onde prolifera a miséria, revela-nos o lado infantil que povoa esta outra sociedade, esta realidade onde crianças brincam no meio de ruas nauseabundas, onde o jogo das crianças desperta um entusiasmo que rivaliza com o entusiasmo dos jogos do casino. Para o final vemos uma dança frenética, repleta de energia, na qual, o uso de câmara-lenta faz sobressair uma pose dionisíaca, onde se poderá colocar uma questão (poderemos falar de uma síntese?), que é a de saber se a ideia que se constrói é uma ideia de revolução. 

 

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