Toutch of Evil (1958), traduzido em português para A Sede do Mal, foi o último grande film noir, enquadrando-o na época clássica deste género que vai desde os inícios dos anos 40 até finais dos anos 50. O realizador é Orson Welles que interpreta a personagem Hank Quinlan, um polícia corrupto, uma personagem sórdida que envolve a investigação que leva a cabo na decadência da sua própria vida, habituado a viciar os dados a favor da sua vontade.

Para além do brilhantismo que Orson Welles demonstra enquanto actor, mostra-se imperativo falar sobre o domínio técnico que o realizador demonstra neste filme, revelando não só uma evolução neste aspecto como fazendo-o com o sentido de enriquecer o filme e a história nele contada. Para além do já conhecido uso do contra-picado, Welles utiliza também inovadores planos de câmara à mão e o uso de objectivas de grande abertura de forma a distorcer a imagem. Logo na abertura do filme temos o famoso plano-sequência de três minutos que começa com um plano de pormenor dum dispositivo de explosivos a ser programado. Repare-se na abertura de diafragma e na forma como esse mesmo dispositivo, ao surgir o som de uma gargalhada, dá a sensação de arrastar a câmara para a direcção da pessoa que deu a referida gargalhada. Outra nota importante aqui é a música. Com o aparecer da bomba, começa a música criando o som do relógio que a fará detonar, sendo, ao mesmo tempo, a estrutura rítmica do plano enquanto revela o ambiente das ruas. De seguida a câmara sobe acompanhando o carro onde foi colocada a bomba, até que encontramos as personagens Ramon e Susan Vargas, interpretadas por Charlton Heston e Janet Leigh. O casal Vargas ganha relevo no enquadramento enquanto o carro passa para um suspeito segundo plano até chegarem à fronteira, onde, por breves momentos, nos detemos novamente no carro e seus ocupantes. Quando encontramos novamente o casal Vargas ouve-se o som de uma explosão…